Um adolescente de 17 anos foi apreendido pela 61º vez em Caldas Novas, no sudeste goiano. Desde os 12 anos, o menor é detido suspeito de cometer atos infracionais análogos aos crimes de roubo e furto. Segundo a Polícia Civil, ele confessa tudo o que faz.

“Ele nunca negou um procedimento em relação a ele. Ele afirma que entra onde quiser, que ninguém e nenhum sistema de segurança segura ele. Ele conta minuciosamente os detalhes”, revela ao G1 a titular da Delegacia da Mulher, Infância e Juventude de Caldas Novas, Sabrina Leles.

A última apreensão do menor foi na segunda-feira (24). De acordo com a investigadora, ele foi flagrado no carro que roubou no dia anterior.

Outro jovem estava no automóvel. No entanto, conforme a polícia, o passageiro não participou do crime, por isso, prestou depoimento como testemunha e foi liberado.

Leles explica que o menor comete os atos infracionais para sustentar o vício em drogas. “Ele é usuário de drogas, tanto que agora, ele foi preso com uma pedra de crack. Ele cuspiu a pedra nos pés dos policiais militares, e a gente sabe que todos os crimes patrimoniais que ele comete realmente são para alcançar o valor a fim de comprar drogas”, disse a delegada.

Conforme a delegada, o menor já foi internado tanto para tratamento de dependência química quanto para cumprir medidas socioeducativas. Ao ser liberado, ele volta à criminalidade.

Desde que foi detido na segunda-feira, o menor segue apreendido em uma cela da delegacia. A Vara da Infância e Juventude tem até cinco dias para encontrar uma vaga para o adolescente em um centro de internação em outras cidades, já que em Caldas Novas não há este tipo de unidade.

De acordo com a delegada, como as vagas estão escassas no estado, geralmente é internado apenas o menor suspeito de cometer ato infracional análogo ao crime de homicídio. Por isso, há um ano e meio à frente da delegacia especializada, Leles afirma que, quase toda semana, o adolescente com 61 passagens é detido.

“Ele é apreendido, vem para a delegacia, fica cinco dias, é solto e volta na semana seguinte para a delegacia”, revela a delegada.

Falta de vagas
Devido à falta de vagas nos centros de internação em Goiás, os adolescentes de 16 e 17 anos suspeitos de matar a estudante Evelyn Batista Rodrigues, de 8 anos, em frente à lanchonete da família dela, em Caldas Novas, podem ser soltos. Eles também respondem por atirar contra outros quatro menores que estavam no local.

Do grupo de adolescentes, apenas um menor de 17 anos ficou ferido. Ele segue internado em estado regular na enfermaria do Hospital de Urgências de Goiânia até a manhã desta quarta-feira (26).

“Infelizmente, apesar da gravidade dos atos infracionais que eles praticaram, sendo quatro tentativas de homicídio e um homicídio qualificado, eles podem liberados”, lamenta o promotor de Justiça que representou pela internação deles, Rafael Machado.

A Vara da Infância e Juventude de Caldas Novas não se pronunciou sobre os casos.

O G1 também entrou em contato com a Secretaria da Mulher, Desenvolvimento Social, Igualdade Racial, Direitos Humanos e do Trabalho (Secretaria Cidadã), que é responsável pelos centros de internação no estado. No entanto, a assessoria não se pronunciou sobre a falta de vagas para menores infratores até a publicação desta reportagem.

Fonte: G1 GOIÁS