O governador Marconi Perillo (PSDB) tem pouco falado sobre sua nova equipe à espera da aprovação do segundo projeto da reforma administrativa do Estado, que tramita na Assembleia. Mas seus aliados começam a disputar nos bastidores a indicação para o comando de três supersecretarias: a do Desenvolvimento Econômico, Agricultura e Tecnologia; a do Desenvolvimento Social e do Trabalho; e a de Cidades, Infraestrutura e Meio Ambiente. São consideradas as pastas de maior influência política e econômica, além de recursos, avaliam.

O governador afirma que só vai anunciar sua nova equipe na última semana deste mês, mas palacianos esperam que a partir da próxima semana os primeiros nomes devem ser confirmados, especialmente os que vão permanecer no governo. “Minha prioridade é concluir as três etapas da reforma administrativa”, afirma Marconi. “Nenhum secretário ou auxiliar que será mantido ou convidado está confirmado para o próximo governo. Qualquer cotado agora é mera especulação do meio político”, enfatiza.

Marconi tem adiado ao máximo confirmar nomes para sua nova equipe. Além de evitar a pressão de aliados enquanto aprova as etapas da reforma administrativa do Estado, o tucano ganha tempo para escolher quem comandará as novas supersecretarias. São pastas que, com a reforma, vão absorver outras áreas importantes do governo e muitas vezes com interesses conflitantes entre si.

Para algumas secretarias, além das mudanças significativas na estrutura, o governador também planeja nova atuação, que inicialmente provocará resistências. “Esta é a dificuldade. De pouco adianta ousar na estrutura sem ter pessoas qualificadas, dispostas e sem receio de enfrentar desgastes”, diz um palaciano. Marconi tem conversado com aliados sobre indicações para as dez secretarias, mas pouco tem avançado por não estar seguro sobre os nomes apresentados.

Especula-se que dois deputados federais serão convidados para o novo secretariado, o que também atenderá as cotas dos partidos aliados no governo. Os nomes mais cotados são de Célio Silveira (PTB), para uma pasta mais política (Governo ou Casa Civil, por exemplo), e de Flávia Moraes (Desenvolvimento Social e Trabalho).

O PSD deverá compor a nova equipe e o deputado federal Heuler Cruvinel (PSD) estava cotado para assumir uma supersecretaria, mas o parlamentar demonstra receio de ficar “engessado” para sua pré-campanha a prefeito de Rio Verde. Outro nome citado nos bastidores é do deputado Vilmar Rocha (PSD), mas este ainda não teria definido qual projeto vai focar a partir de fevereiro, quando encerra seu atual mandato. Já o líder do Governo na Assembleia e eleito deputado federal, Fábio Sousa (PSDB) demonstra que, se convidado, toparia assumir uma das três supersecretarias.

Uma dificuldade do governador em compor sua nova equipe, especialmente em convidar deputados federais e estaduais, para abrir vagas aos suplentes, é exatamente as reformas administrativas em curso no Estado. A segunda etapa vai cortar três cargos no primeiro escalão (com a extinção da Agecom, AGDR e Agel), 424 cargos no segundo e 3.890 no terceiro no próximo governo. Ou seja: se no primeiro escalão já não vão existir seis cargos com a fusão de secretarias, nos segundo e terceiro serão de quase 4,3 mil cargos a menos. São nestes escalões que existe maior indicações de aliados políticos, principalmente de deputados.

“Não há dúvida de que o projeto será aprovado na Assembleia como quer o governo, mas haverá no mínimo um desconforto na base e maior disputa pelos cargos que vão restar para atender partidos e parlamentares aliados”, avalia um deputado governista. “A pressão no Palácio das Esmeraldas será maior com o segundo projeto, com todos tendo conhecimento das extinções de gerências e superintendências”, prevê outro parlamentar da base do governador. Ciente disto, Marconi já trabalha nos bastidores para reduzir a pressão de aliados por espaços no próximo governo.

A reforma administrativa do Estado terá ainda a terceira etapa, sete dias úteis depois de aprovada a segunda. Será com redução de cargos (diretorias e cargos de chefia) e despesas nas estatais, como Saneago, Iquego, Metrobus, Goiás Gás, Goiás Parcerias e Goiás Industrial. Algumas vão virar única empresa ou serão absorvidas pelas novas supersecretarias.

Fonte: O Popular