A base do governador Marconi Perillo (PSDB) na Assembleia Legislativa continua sem se entender em relação à composição da nova mesa diretora da Casa. A três dias da solenidade de posse dos 41 deputados e da eleição da mesa, permanece o impasse e a disputa acirrada no PSDB, PSD e também na oposição, com o PMDB.

Com exceção da presidência, que deve ser ocupada por Helio de Sousa (DEM), e das segunda e terceira secretarias (estão reservadas, respectivamente, para PTB e PT), as demais vagas continuam sendo motivo de desentendimento entre parlamentares.

Nédio Leite (PSDB) foi indicado para a 2ª secretaria, mas há dois dias se rebelou, defendendo a tese de que ele é quem deve ficar com a vice-presidência e nesse sentido começou a pedir votos até para os colegas da oposição. A vaga estava acertada para o estreante Mané de Oliveira (PSDB).

No PSD, nem o presidente estadual da legenda, o secretário estadual Vilmar Rocha, tem conseguido apaziguar os ânimos na briga pela 2ª vice-presidência, que será ocupada pela legenda. Lincoln Tejota (PSD) sustenta que o posto foi garantido a ele em troca do recuo na disputa pela presidência. Já Virmondes Cruvinel (PSD) garante que tem a indicação da maioria. A reportagem apurou que os dois já pedem votos, se preparando para uma eventual disputa no plenário.

PMDB

A falta de consenso também atinge o PMDB, cujos deputados Adib Elias e Paulo César Martins disputam a 4ª secretaria. O primeiro reivindica o espaço para ter visibilidade no preparo de sua candidatura a prefeito de Catalão em 2016. O segundo quer “recompensa” pela votação expressiva. Ele foi o segundo mais votado, com mais de 50 mil votos.

O deputado estadual Luis Cesar Bueno, que em reunião ontem foi escolhido para liderar a bancada do PT, disse que vai procurar o presidente da Assembleia para cobrar firmeza na condução das discussões. O petista fez duras críticas à base governista. “A base do governo tem de ser mais firme na condução das alianças para a mesa diretora. Não é apenas a presidência que constrói a unidade, a unidade é construída no conjunto da mesa sob pena de desenvolver uma guerra e nós da oposição vamos ficar em uma situação constrangedora porque somos os fiéis da balança”, diz o petista, acrescentando que o caso caminha para “desentendimentos visíveis e extremamente conflitantes”. “Nunca fizemos votações solteiras para os cargos da mesa”, comenta o petista.

As discussões para ocupação dos espaços começaram ainda no ano passado, quando ficou acordado que o PSDB, por ter a maior bancada, ficaria com duas vagas, e PMDB, PT, PSD e PTB ocupariam, cada um, uma vaga na mesa. Coube aos partidos deliberarem internamente a indicação de seus representantes.

Diante da crise, deputados ouvidos pela reportagem dizem que o desentendimento abre brechas para que uma nova candidatura à presidência seja articulada.

“É que avalizamos o nome de Helio, mas se quiséssemos poderíamos juntar 12 ou 14 deputados e compor com o lado distencionado do governo um novo presidente”, diz um parlamentar. A possibilidade de isso acontecer, porém, é considerada pouco provável pelos deputados.

Fonte: O Popular