Na disputa presidencial mais acirrada de todos os tempos, a presidente Dilma Rousseff (PT) foi reeleita presidente do Brasil. Com vitória expressiva nos Estados do Nordeste e triunfo em Minas Gerais, terra natal de seu adversário, Aécio Neves (PSDB), a petista teve 51,7% dos votos válidos, contra 48,3% do tucano. Pela 3ª vez seguida, os brasileiros dão novo mandato a um presidente.

Já reeleita, Dilma discursou em Brasília e defendeu diálogo com a sociedade, mudanças e reformas no discurso que fez para a Nação, logo depois de ser anunciada vencedora pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Dilma insistiu em anunciar que vai lutar para fazer uma reforma política a partir de um plebiscito e afirmou que criará mecanismos para combater a corrupção. “Sem exceção, chamo todos os brasileiros para nos unirmos em favor de nossa Pátria, nosso País, nosso povo. Não entendo que essas eleições tenham divivido o País ao meio. Em lugar de ampliar divergências, criarmos fosso, tenho forte esperança de que a energia mobilizadora tenha preparado um bom terreno para a construção de pontes”, afirmou a petista.

Para ela, as divergências devem ser usadas para melhorar o diálogo. “O calor liberado no fragor da disputa pode e deve agora ser transformado em energia construtiva de um novo momento no Brasil. Com a força desse sentimento mobilizador é possível encontrar pontos em comum e construir com eles uma primeira base de entendimento para fazer nosso País avançar”, disse ela.

Dilma afirmou que a História mostra que resultados apertados produzem mudanças mais rápidas do que vitórias muito amplas. “Essa é a minha certeza do que vai ocorrer a partir de agora no Brasil. O debate, as ideias, o choque de posições pode produzir espaços em processos que podem mover a sociedade naquilo que almejamos.”

No primeiro turno, Dilma teve quase 43,268 milhões de votos, ou 41,6% do total de válidos. Aécio recebeu 34,897 milhões de votos, ou 33,5%. Dilma largou atrás na corrida pelo segundo turno, segundo pesquisas eleitorais, mas virou na última semana, ficando à frente do tucano desde a última segunda-feira, dia 20. Durante quase toda a segunda etapa das eleições os dois permaneceram empatados na margem de erro, de dois pontos percentuais.

A disputa esteve acirrada desde o início. A primeira reviravolta ocorreu com o desastre aéreo envolvendo Eduardo Campos. Após a morte do pernambucano, o PSB lançou Marina Silva à Presidência, e ela rapidamente colou em Dilma, deixando Aécio em terceiro nas pesquisas eleitorais.

A ascensão meteórica da ex-senadora, entretanto, não durou. Ela perdeu forças nos últimas dias antes do primeiro turno, e quem avançou para o pleito final contra a petista foi o tucano, que pegou para si o discurso de mudança que ecoou no país durante as manifestações de junho de 2013.

O segundo turno foi polêmico, com ataques pessoais e encontros explosivos nos debates televisionados. As militâncias dividiram o País entre “nós” e “eles” como nunca. E durante as duas últimas semanas das eleições os brasileiros se mobilizaram. Prova disso foi a queda no número de votos brancos. Enquanto no primeiro turno 3,8% dos votos foram em branco, ontem o porcentual caiu para 1,71% – pouco mais de 1,9 milhão de votos.

A queda, de pouco mais de dois pontos percentuais, é a maior registrada até aqui. Em 2002, o percentual de brancos passou de 3% para 1,9%; em 2006, de 2,7% para 1,3%; e em 2010, de 3,4% para 2,3%. O percentual de eleitores que anularam o voto também diminuiu – de 5,8% no primeiro turno para 4,6% ontem, o equivalente a 5,2 milhões de votos.

LONGEVIDADE

Com a reeleição de Dilma Rousseff, o PT tem a oportunidade de ficar 16 anos consecutivos na Presidência. Com isso, poderá superar os quase 15 anos em que Getúlio Vargas governou o país após a Revolução de 1930 – de 3 de novembro de 1930 a 29 de outubro de 1945.

A primeira era Vargas concedeu diversos direitos trabalhistas aos assalariados (reunidos na Consolidação das Leis do Trabalho), criou várias estatais (Companhia Siderúrgica Nacional, Companhia Vale do Rio Doce, Chesf) e viabilizou a industrialização do país.

A partir de 1º de janeiro, o PT também vai superar o domínio da oligarquia paulista no início da República Velha, quando os políticos estaduais emplacaram três presidentes em sequência: Prudente de Morais (1894-1898), Campos Sales (1898-1902) e Rodrigues Alves (1902-1906). O domínio paulista consolidou a República – com a derrota das revoltas monarquistas e da insurreição de Canudos –, definiu as fronteiras do país e renegociou a dívida externa.

Em junho do próximo ano, o PT também conseguirá superar os 12 anos e cinco meses que o Partido Conservador ocupou o poder no Segundo Império – de 29 de setembro de 1848 a 2 de março de 1861. Durante o domínio conservador foi aprovada a Lei Eusébio de Queiroz, que proibia o tráfico de escravos, a Lei de Terras, ambas em 1850, primeira iniciativa para organizar a propriedade privada no país, e o Código Comercial.

Mas seguirá atrás da ditadura militar, que se estendeu por quase 21 anos – de 31 de março de 1964 a 15 de março de 1985.

Fonte: O Popular