Paris – Mais de 700 mil pessoas, de acordo com contagem do Ministério do Interior, foram às ruas da França ontem, em grandes manifestações a favor da liberdade de expressão e em condenação aos atentados perpetrados por jihadistas islâmicos nesta semana, que deixaram 17 pessoas mortas – além dos três terroristas – e cinco feridos em estado grave em Paris.

A maior manifestação aconteceu em Toulouse, onde 120 mil pessoas foram às ruas. A cidade é a mesma em que outro jihadista, Mohammed Merah, cometeu em 2012 atentados antissemitas e contra policiais que deixaram sete mortos, entre os quais crianças de uma escola judaica, além de seis feridos.

Outras manifestações aconteceram em Nantes, onde 75 mil pessoas desfilaram. Em Pau, Rouen, Orléans, Nice, Lille e Bayonne as marchas oscilaram entre 40 mil e 20 mil pessoas. Por todo o país, inclusive em municípios pequenos, houve mobilizações.

Os protestos acontecem na véspera da grande mobilização silenciosa prevista para ser realizada hoje, na Praça da República, em Paris. O cortejo terá as presenças de líderes políticos como o presidente francês, François Hollande, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e os primeiros-ministros da Grã-Bretanha, David Cameron, da Itália, Matteo Renzi, da Espanha, Mariano Rajoy, e da Turquia, Ahmet Davutoglu, além de chefes de Estado e de governo de fora da Europa. A presidente Dilma Rousseff afirmou ontem que o embaixador do Brasil na França, José Bustani, vai representá-la na marcha republicana. Em nota divulgada, a presidente afirmou estar segura “de que os muitos brasileiros que vivem na França estarão presentes.

A manifestação em favor da liberdade de expressão e contra o radicalismo será marcada pelos simbolismos. A marcha será iniciada na Praça da República e terminará na Praça da Nação, tendo como principal eixo o Boulevard Voltaire. Líder revolucionário iluminista, Voltaire é comumente associado à frase “Eu não estou de acordo com o que você diz, mas lutarei para que você tenha o direito de dizê-lo”.

Para garantir a segurança, o Ministério do Interior preparou uma segurança reforçada em Paris. Ao todo 2,2 mil agentes, entre policiais civis e militares, soldados e membros de serviços de inteligência, estarão presentes. Atiradores de elite serão posicionados nos telhados, e redes de esgotos já são inspecionadas neste sábado para afastar o risco de atentado a bomba.

Em paralelo à manifestação de Paris, concentrações estão sendo planejadas em várias capitais da Europa em solidariedade às famílias de vítimas do radicalismo.