Presos em flagrante durante sequestro de uma família de empresário em Inhumas, Gilberto Batista Pires Filho, de 22 anos, e Egmar Lúcio Gomes Filho, de 18, eram moradores da cidade e conheciam a rotina da residência localizada no setor Sol Nascente. Apesar da maioridade recém completada, Egmar já tinha três passagens por atos infracionais, incluindo um homicídio. Desempregado, Gilberto, que já foi vendedor de panelas, alegou para a polícia que resolveu participar do crime por desespero, para quitar cheques devolvidos. À Polícia Militar, a namorada de um deles disse que o dinheiro seria utilizado para uma viagem para o litoral.

Na delegacia, o pai de Egmar enchia os olhos de lágrima ao ver o filho algemado. “É triste, decepcionante”, lamentava.
Proprietário de um frigorífico na cidade, Marcelo Rodrigues, de 42 anos, contou o desespero de ver sua família sobre a mira de uma arma. “É uma aflição que eu nunca imaginei que sentiria. Só pensava em conseguir o dinheiro e livrá-los daquela tortura”.

A esposa, Islane Cristina, de 30 anos, precisou ser hospitalizada após ser liberada pelos bandidos. “Ela ficou muito nervosa, passou muito mal”, disse o empresário.

O crime aconteceu na manhã de ontem e movimentou a cidade e o pequeno bairro, aparentemente pacato. Na fábrica de temperos, localizada em frente a residência, praticamente não teve expediente no primeiro turno, já que todos os funcionários ficaram curiosos para acompanhar a ação policial. “Parecia cena de cinema. Dezenas de policiais armados, carros e mais carros e até um helicóptero”, conta a auxiliar de produção Terezinha Pifardini, de 42 anos.

Segundo o delegado responsável pelo caso, Humberto Teófilo de Menezes Neto, como o empresário sai de casa bem cedo, a dupla, um deles vestido de gari, aguardou o horário em que a empregada entrava no serviço para rendê-la e ter acesso à residência, onde estavam Islane Cristina e os filhos, um menino de 4 anos e uma menina de apenas de 5 meses.

Marcelo Rodrigues já estava em seu frigorífico quando recebeu a ligação dos bandidos informando o sequestro e pedindo um resgate no valor de R$ 100 mil. “Achei que era trote, então liguei no fixo e eles atenderam. Fiquei desesperado porque seria muito difícil conseguir aquela quantia antes do horário de funcionamento bancário”.

Ele informou ao comandante da PM da cidade sobre o caso e foi aconselhado a manter a calma. “Voltei lá, entreguei R$ 30 mil e sai para buscar mais dinheiro”. Neste momento, a PM já cercava e monitorava a casa.

Marcelo retornou mais uma vez à residência, entregou mais R$ 10 mil e conseguiu convencê-los a liberarem o filho mais velho. De acordo com a polícia, os bandidos não usaram de violência física contra as vítimas. Com a chegada do Grupo de Radiopatrulha Aérea (Graer) e do Comando de Operações Especiais (COE), a PM iniciou a negociação com os bandidos, que durou mais de duas horas.

Eles exigiram a presença de um advogado e, após atendidos, se entregaram, liberando as vítimas e deitando no chão da garagem. Com os sequestradores a polícia apreendeu os R$ 40 mil e três revólveres, dois calibres 38 e um 32. De acordo com o delegado eles serão indiciados por extorsão mediante sequestro, com agravante por duas das vítimas serem menores de idade. A Polícia Civil não descarta a participação de outras pessoas, já que as vítimas sabiam da rotina da vítima e relatam que foram a pé até o local.

Fonte: O popular