No primeiro debate entre os presidenciáveis, realizado ontem pela TV Bandeirantes, a presidente e candidata à reeleição, Dilma Rousseff (PT), e a candidata do PSB, Marina Silva, foram os principais alvos, principalmente do candidato do PSDB, Aécio Neves. No caso da pessebista, os ataques dos adversários já repercutem o bom desempenho na pesquisa Ibope/Rede Globo/O Estado de S.Paulo divulgada ontem, em que ela venceria Dilma em um cenário de segundo turno. Já a petista sofreu com ataques do tucano e também de Marina por representar o grupo que já está há 12 anos no poder. Até a conclusão desta edição, às 0h30, o debate ainda estava em curso. Além de Dilma, Aécio e Marina, a sabatina reuniu Luciana Genro (PSOL), Levy Fidélix (PRTB), Eduardo Jorge (PV) e Pastor Everaldo (PSC).

Logo no início do bloco que permitia perguntas entre os candidatos, pelo menos um tema uniu, em perguntas distintas, Aécio e Marina contra Dilma: a situação da economia. Levando para o debate ecos das manifestações de junho, Marina citou os pactos pela mobilidade urbana e pelo controle da inflação.

“Por que eles não foram cumpridos?”, questionou Marina. A presidente reagiu, afirmando que considerou os pactos cumpridos, que “a inflação está sendo sistematicamente reduzida”, e que tem cumprido o compromisso com a estabilidade econômica. As críticas à política econômica voltaram, depois de uma pergunta que a própria Dilma fez a Aécio Neves. Garantindo que, em seu governo, teve “a menor taxa de desemprego da história”, a presidente provocou o adversário ao perguntar a ele que medidas impopulares tomaria, a exemplo das que teriam sido tomadas pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso:

“Eu me sinto lisonjeado em a senhora me olhar e ver o ex-presidente Fernando Henrique. Quem olha para o passado tem medo do futuro”, disse Aécio.

Depois de atacar Dilma, Aécio mirou em Marina, que teve sua coerência questionada por Levy Fidelix (PRTB).
O tucano, que apareceu dez pontos atrás da candidata no levantamento, questionou o fato de Marina afirmar que, se eleita, quer o apoio de políticos como José Serra (PSDB), a quem ela se negou a apoiar no segundo turno da eleição presidencial de 2010.

“A senhora tem falado muito sobre a nova política. Disse que não subiria no palanque de vários políticos, entre eles Geraldo Alckmin. Depois, disse que contaria com o apoio de José Serra, a quem recusou-se a apoiar em 2010. A senhora não acha que a nova política não precisa de coerência?”, questionou o tucano.

Já a presidente Dilma poupou a adversária do PSB – conforme planejado pela coordenação da campanha petista –, e mirou suas críticas às gestões do PSDB na Presidência. A petista foi irônica ao questionar o rival tucano, e aproveitou a pergunta para comparar os governos de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“O Brasil tem hoje a menor taxa de desemprego da história. Quando o Fernando Henrique Cardoso, do seu partido, entregou o cargo a Lula, o desemprego era o maior. Que medidas impopulares o senhor irá tomar, além da redução do emprego e da redução do salário mínimo?”, questionou Dilma. Aécio respondeu lembrando que, ao assumir a presidência, Dilma elogiou as medidas adotadas pelo governo tucano para estabilizar a economia brasileira.

Embora Dilma tenha poupado Marina, a recíproca não foi verdadeira. Em sua primeira oportunidade de perguntar a um candidato, Marina escolheu a presidente e questionou o que “deu errado”, já que as mudanças propostas pelo governo após as manifestações de 2013 não foram implantadas.

“Quando tivemos as manifestações de junho, você apresentou uma série de pactos para tentar atender às demandas. Nenhum funcionou. O que deu errado?”, indagou a ex-ministra.

Fonte: O Popular