meta de redução de homicídios em 10% anunciada pelo governo estadual no começo do ano dentro do Programa Goiás Seguro não foi cumprida em Goiânia e a expectativa na capital é que o número de assassinatos ultrapasse o total de 2013, já que – até o fechamento desta edição – faltavam 9 mortes para atingir esse índice. Até então, foram 612 homicídios em Goiânia, contra 621 no ano passado, segundo dados levantados pelo POPULAR. Os números do jornal não batem com os divulgados pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de Goiás (SSP-GO) porque, entre outros motivos, o órgão estadual não inclui as mortes em confronto com polícia.

Com a média de 55 crimes de morte por mês, 2014 deve fechar com o recorde de ano mais violento na capital desde 2000. Das vítimas de homicídio até a tarde de ontem, 557 eram homens e 55 mulheres, observando a ocorrência grave de um assassino em série em ação este ano em Goiânia. Tiago Henrique Gomes da Rocha, preso no final de outubro pela Polícia Civil, confessou a morte inicialmente de 38 pessoas nos últimos anos, sendo 22 em 2014.

Das vítimas, quase a metade das mulheres mortas este ano na capital. Ele abordava jovens mulheres, a maioria morena, sozinhas na rua. Usando capacete e motocicleta preta, as abordava pedindo o celular e atirava no peito, fugindo em seguida. Preso, confessou que sentia necessidade de matar. Ele está preso no Núcleo de Custódia do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia.

CONFRONTO COM POLÍCIA

Em 2014 houve um aumento no número de vítimas em situação de confronto com policiais. Foram, até a tarde de ontem, 32 casos, contra 20 registrados no ano passado todo. O último aconteceu no sábado, às 19h30, no 20º Distrito Policial, no Setor Sudoeste.

Daniel Fernando Lux Ladeira, de 22 anos, foi morto com um tiro na região lombar, logo após tentar fugir do distrito onde estava sendo autuado em flagrante por tráfico de drogas, receptação e adulteração de sinal identificador de veículo automotor. Ele havia sido preso pelo Grupamento de Radiopatrulhamento Aéreo (Graer) da Polícia Militar e já estava sob a guarda da Polícia Civil.

De acordo com o assessor de imprensa da Polícia Civil, delegado Norton Luiz Ferreira, o preso pediu para ir ao banheiro e foi algemado com as mãos para a frente. Ao sair do banheiro, estava sem algema em um dos braços, avançou contra um agente plantonista e fugiu correndo, sendo perseguido pelo policial, que não teve o nome divulgado.

Na tentativa de resgatar o preso, segundo Norton Luiz, o policial civil tropeçou em entulhos que estava na calçada e caiu, disparando a arma e ferindo o preso. O policial está com joelhos e cotovelos machucados por causa da queda. Ele responde administrativamente pelo caso junto à Corregedoria da Polícia Civil e criminalmente pela morte de Daniel Fernando. “Deve responder, no mínimo, pela conduta culposa”, explicou.

Fonte: O Popular