Os 21 presos transferidos do regime semiaberto, depois da rebelião de quarta-feira, para o Núcleo de Custódia, no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, estão dormindo no chão e não têm toalha de banho nem roupa limpa para vestir. A Secretaria Estadual de Administração Penitenciária e Justiça (Sapejus) não oferece agasalho de carceragem. O promotor de Justiça Haroldo Caetano, representante do Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) na área de execução penal da comarca de Goiânia, se reuniu ontem à tarde com os detentos e avaliou que a transferência deles expõe a segurança do núcleo, unidade de segurança máxima do Estado, onde já estavam 85 criminosos considerados como os mais perigosos.

A rebelião deixou parte do semiaberto destruída e levou ao esvaziamento da unidade, já que, há cinco meses, outro incêndio destruiu galpões destinados ao dormitório de presos, conforme mostrou O POPULAR na quinta-feira. No total, 193 presos do semiaberto foram deslocados para a Casa do Albergado e Casa de Prisão Provisória (CPP) e do Núcleo de Custódia, presídio de segurança máxima do Estado.

Haroldo Caetano visitou, ontem à tarde, a cela dos presos no Núcleo de Custódia, depois de se reunir com a juíza Wanessa Aragão, da 2ª Vara de Execução Penal. “A utilização do Núcleo de Custódia para colocar presos do regime semiaberto expõe a segurança do próprio núcleo”, observou ele, antecipando que, na próxima semana, vai solicitar reunião com representantes do Judiciário e da Sapejus, para que os presos sejam levados para outro local. Caso contrário, o promotor vai apresentar ação judicial.

Depois de receber os detentos do semiaberto, o Núcleo de Custódia ficou com 106 presos, no total. Em nota enviada ao POPULAR, a Sapejus informou que a Segurança Penitenciária realizou, em caráter emergencial, o alojamento, em situação temporária. A situação atual, de acordo com a secretaria, é resultado das ações dos presos, que atearam fogo nos próprios pertences e no patrimônio do Estado. “O Estado está tomando as providências cabíveis e as famílias deles estão autorizadas e já estão fornecendo o material de que necessitam”, informou.

Apesar de destacar que todo o sistema prisional sucumbe em meio à superlotação, Haroldo criticou as condições da unidade. “As condições são muito ruins. É um presídio que há muito tempo carece de reforma. A cela está suja”, ponderou, para emendar: “É uma cela grande, sem nenhum tipo de mobilia. É um salão, não tem cama.”

O POPULAR ligou, ontem à tarde, no gabinete da promotora de Justiça Karla Fleury, que atua pelo semiaberto, mas o assistente apenas disse que ela não estava e que não poderia passar o telefone funcional dela. Embora estejam no Núcleo de Custódia, destacou a Sapejus, os presos estão alojados em uma cela, separados dos demais detentos da unidade. Haroldo, no entanto, criticou: “Não há lugar para se colocar mais presos no Estado. Diante deste contexto, o que a administração acaba fazendo é trabalhar com improviso. Soluções estruturantes não vêm sendo apresentadas pela administração há muito tempo.”

Fonte O Popular.